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Edson Júnior, especial para o Aplauso Brasil
SÃO PAULO - Letícia alia virtuosismo e sonoridade autoral unindo variações rítmicas e memórias musicais do guitarrista Antonio Valdetaro que conduz seu grupo como quem domina regionalismos e sons globalizados.
Esta condução tanto em CD (independente, com distribuição da Sonhos e Sons) quanto em show, que fez parte da programação das Quintas Musicais do último dia 18, revelam apuro técnico e sensibilidade artística para compor canções que misturam Samba, Choro, Jazz e Bossa Nova provocando no público a sensação prazerosa de que no universo musical as fronteiras as vezes não existem e que a diferença faz bem aos ouvidos.
Embora seja o primeiro CD, quem o ouve reconhece de saída o domínio e a intimidade do guitarrista com seu instrumento e o comprometimento com sua arte assinando irresistíveis composições como a Jazzística e brasileira Segura e Sai. Já Concorrência Desleal, dedicada ao musicista Guinga, traz à tona lembranças do popular baião. A sofisticação melódica de Urublues Malandro carrega um saudosismo do mestre Pixinguinha, e a romântica e densa,Leticia revela que a paixão é realmente um trapézio sem rede, há que se entregar.
Valdetaro comunica-se com a platéia de maneira suave criando uma atmosfera acolhedora e uma agradável interação, faz com que o público mergulhe em sua obra.
Marcos Kostiw, coordenador pedagógico da E.E. Dom Duarte Leopoldo e Silva, falou sobre o show e o projeto Quintas Musicais:
“Nossa escola criou um projeto de levar os alunos às Quintas Musicais o que é ótimo, pois incentivamos os estudantes a apreciarem vários estilos musicais, rompendo assim com o automatismo que prende os jovens. Muitos alunos , após o espetáculo do Antônio, mostraram-se maravilhados e emocionados, disseram que foi uma experiência agradabilíssima”
ANTONIO VALDETARO lança “Letícia”, seu primeiro CD
O guitarista, acompanhado por seu grupo, acaba de lançar álbum com trabalho autoral.
Exímio guitarrista, ANTONIO VALDETARO é também um incansável viajante. No entanto, é viageiro de caráter singular; daqueles que não resistem quando se enamoram do novo e do diferente que residem em um determinado lugar. É um apaixonado que se rende com afeto ao inusitado e ali se estabelece.
Foi assim, por exemplo, quando circulou em turnês por Portugal, França, Alemanha e Espanha e acabou por fixar residência nestes países. E não foi diferente, quando após uma série de apresentações, o niteroiense decidiu ficar em outras cidades brasileiras: Salvador, Belo Horizonte e São Paulo, onde vive desde 1999.
Passagens de vida que são indício de um outro traço de seu caráter: a devoção. Já que é de forma quase religiosa que VALDETARO se dedica à música e também reverencia a seus mestres e pares. “Letícia”, o primeiro disco do guitarrista, é fruto deste apuro técnico – de anos de aperfeiçoamento musical, harmonia e percepção – mesclado à sua afeição por pessoas e lugares.
Todas as composições do CD, num total de nove, são de sua autoria. São músicas em que pinceladas de suas viagens e vivências se revelam. Mas em que também se observa, especialmente, uma gostosa brasilidade; traduzida em uma variação rítmica que nos encanta, sem entorpecer. Há samba, choro, MPB, jazz e mais um bocado generoso de outros ingredientes musiciais. Tudo mesclado, criteriosa e delicadamente, à moda Valdetaro.
Feitas em homenagem a pessoas marcantes na trajetória do guitarrista e violonista, quatro das músicas merecem atenção no repertório do álbum: “Concorrência Desleal”, composta para Guinga; “Tradição”, um tributo a Paulinho da Viola; “Canção das Geraes”, para Toninho Horta e “Letícia”, o tema-título, feito para sua mulher.
Acompanhado por Fábio Leandro, piano; Josué dos Santos, sax e flauta; Pepa D'Elia, na bateria; e Roberto Carvalho, no contrabaixo; ANTONIO VALDETARO nos apresenta irresistíveis fusões musicais neste seu primeiro CD (independente, com distribuição da Sonhos e Sons); trabalho em que também assina a produção.
No disco também ganham relevo as participações dos bateristas Ary Dias e Adriano Trindade, do baixista Sidiel Vieira e de Rubinho Antunes, no trompete e flugelhorn.
Sofisticado e leve. Contagiante e envolvente. Bem brasileiro, sem deixar de ser do mundo. “Letícia”, de ANTONIO VALDETARO, é digno destes e de outros predicados. E é por simples cautela que outros atributos não vamos pronunciar. Só nos cabe, portanto, uma singela recomendação: Ouça e desfrute!
(Deborah Izola – MTB nº 19.395)